Dom Sebastián estava encurralado. Ele havia cometido os assassinatos, mas agora o mundo o observava. Ele não podia simplesmente “fazer sua sobrinha desaparecer”. Seu próprio nome estava manchado.
Rodrigo, o advogado, viu a única saída. “Padre, isto é um desastre de relações públicas. Precisamos controlar os danos. Ela precisa ir embora.”
O julgamento eclesiástico foi uma farsa silenciosa. Para evitar mais escândalos, Dom Sebastián providenciou tudo. Catalina foi despojada da propriedade de San Jerónimo, que passou para as mãos de seu primo Rodrigo. Ela foi declarada “moralmente inapta” para administrar seus bens.
Seis semanas depois, ela deu à luz um filho. Um menino saudável, de pele bronzeada e olhos escuros e profundos.
O destino final de Catalina foi o exílio. Dom Sebastián, num último ato de controle para salvar as aparências, a enviou de volta a Madri, ao mesmo lugar onde ela havia se formado. Deu-lhe uma pensão modesta, suficiente para viver, mas não para exercer poder, sob uma condição: que ela nunca mais pusesse os pés na Venezuela.
Catalina Mendoza y Salazar, a mulher mais rica de Barlovento, deixou sua terra natal como uma pária. Perdeu sua casa, sua fortuna e sua reputação. Mas, enquanto o navio se afastava da costa, ela não chorou. Em seus braços, segurava o filho, a quem chamou de Miguel José Domingo.
Ela havia perdido tudo, exceto a liberdade que tanto almejara e a prova viva de que, por um breve instante, em meio ao horror da escravidão, três homens e uma mulher ousaram ser, simplesmente, humanos. Sua história tornou-se uma lenda sussurrada em Barlovento, uma verdade oculta que a história oficial tentou, mas jamais conseguiu, apagar.