Lily encarou o tapete, forçando as palavras. “Foi na terça-feira. Ele ficou bravo porque eu não queria comer brócolis. Me mandou para o meu quarto. Aí ele subiu gritando… me agarrou pelo braço e me empurrou. Minhas costas bateram na maçaneta de metal do armário. Doeu muito.”
Julian cerrou os dentes até doerem, mas manteve a voz tranquilizadora. “Ele te levou ao médico?” “Não. Ele foi a uma farmácia. Disse que eu caí brincando. Passou pomada e curativo… apertou bem forte. Disse para eu nunca tirar.”
“Posso ver?” perguntou Julian, com o peito afundando. Lily assentiu. Ela se virou e levantou a camisa larga. Julian congelou. As bandagens estavam amareladas e sujas. Espiando pelas bordas, a pele era um caleidoscópio de hematomas roxos e pretos. Um cheiro forte e característico de infecção emanava do curativo.
“Quando ela trocou pela última vez?” “Quarta-feira… eu acho. Ela me disse para deixar até você voltar para não ver nada feio.”
Um nó subiu na garganta de Julian. Não se tratava de um acidente; era uma tentativa de encobrir algo. “Vamos para o hospital. Agora mesmo”, declarou ele com firmeza. Os olhos de Lily se arregalaram em pânico. “Vou me meter em encrenca?” “Não. Você não fez nada de errado. Pedir ajuda nunca é uma má ideia”, prometeu ele, puxando-a gentilmente para um abraço. “Eu estou aqui com você.”
No carro, a caminho do Hospital Infantil, cada solavanco na estrada provocava um gemido no banco de trás. “Você teve febre?” Julian perguntou, agarrando o volante. “Eu estava com febre alta na quinta-feira… Mamãe disse que era normal.”
Febre. Infecção. Julian sentia como se o chão estivesse desabando sob seus pés.
No pronto-socorro, eles foram atendidos imediatamente. O Dr. Marcus Hale, o pediatra de plantão, entrou calmamente. “Certo, Lily… vamos remover isso com cuidado.” Enquanto desembrulhava a gaze, a expressão do médico escureceu. Removendo a última camada, revelou a lesão: uma grande massa escura cercada por pele irritada, vermelha e inchada.
“Há sinais claros de sepse”, disse o Dr. Hale. “Ela precisa de antibióticos intravenosos e exames de imagem para descartar trauma interno. Vamos interná-la.”
Julian engoliu em seco. “É algo que coloca a vida dela em risco?” “É sério, mas tratável… porque você a trouxe agora.” O médico examinou os braços de Lily e encontrou hematomas com o formato perfeito de pontas de dedos. “Lembra disso?”, perguntou ele. Lily assentiu levemente. "Desde o momento em que ele me agarrou para me empurrar."
O Dr. Hale tirou fotos clínicas e saiu para o corredor com Julian. "Sr. Cross, tenho a obrigação legal de relatar isso ao Conselho Tutelar. Essa lesão precisava ter sido avaliada há dias. Mascará-la com bandagens sujas é negligência grave." Julian sentiu raiva, mas também alívio por um profissional médico ter validado a lesão.
“Você consegue falar com a mãe?”, perguntou Reed. Julian discou. Eleanor finalmente atendeu. “O que houve, Julian? Estou no meio do tratamento”, disse ela, irritada. “Estou no hospital com a Lily”, disse ele, colocando-a no viva-voz. “Por que você não a levou ao médico?” “Não era necessário. Foi só uma batida.” “Como isso aconteceu?” “Ela caiu.” “Lily me disse que você a empurrou”, disse Julian, olhando para o detetive.
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